quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Bebida de Gente Grande

Bebida de Gente Grande
 

                            Sinto até hoje o sabor da primeira xícara de café, sem leite que tomei preto, purinho. Mais do que a novidade do sabor, aquele ano representava também a chegada da idade adulta. Porque lá em casa só os adultos podiam tomar café puro. Tomei gosto – ainda não sei se pelo fato de ser adulta, pela bebida ou pelo conjunto. Preciso beber café e ser adulta por mais uns 50 anos, depois decido. O grande estímulo para esta tarefa é a profusão de cafés gourmets e cafeteiras disponíveis na cidade, primeiro berço das rubiáceas.

                           Em 1723, Francisco de Mello Palheta trouxe da Guiana Francesa para o Brasil as primeiras mudas do fruto da família das rubiáceas. O primeiro ponto de fixação foi o entorno da cidade do Rio de Janeiro. Por repetidas crises de falta de água, em consequência do desmatamento junto às principais nascentes, o imperador Pedro II ordenou o fim do plantio de café, desapropriou as fazendas e iniciou o reflorestamento da área, dando assim, origem ao que hoje é o Parque Nacional da Floresta da Tijuca.
 
                          Desenvolvido pelos árabes, o hábito de tomar café era tão difundido na cultura do dia-a-dia que, em 1475, até foi promulgada uma lei turca que permitia à mulher pedir o divórcio se o marido fosse incapaz de lhe prover de uma quantidade diária da bebida.

                          Conheço duas raras pessoas que não tomam café. Mas a maioria gosta e cada um tem um jeito preferido de tomar o seu. O amigo Manoel Lopes, ao final das refeições, pede um café da cozinha, o que significa café feito em coador de pano. Essa forma de preparo caiu vertiginosamente na preferência nacional com a chegada do expresso, que pode ser servido em outras versões [...]


                                        Deise Novakoski                  O Globo, 20/07/07
 
 
 
 

 

 



 

 



terça-feira, 2 de junho de 2009